Jéssica Castro saiu do seu trabalho anterior para fazer
cursos nas oficinas mecânicas da cidade

Lugar de mulher também é na oficina. Pelo menos nas oficinas dos cursos da área automotiva fornecidos pela Prefeitura de Uberlândia, a presença feminina tem aumentado ano a ano. De cinco mulheres matriculadas em 2005, a quantidade saltou para 79 alunas inscritas neste ano nos cursos de mecânica automotiva, eletricidade veicular, injeção eletrônica, repintura e funilaria. A presença feminina nos cursos automotivos da Prefeitura de Uberlândia – que são gratuitos – cresceu 1.480% nos últimos sete anos e tem aumentado ano a ano.

“As mulheres representam hoje 8% da demanda dos cursos na área automotiva”, disse a secretária de Desenvolvimento Social e Trabalho de Uberlândia, Iracema Marques Barbosa. Segundo a secretária municipal, que coordena os cursos profissionalizantes, a taxa de inserção no mercado de trabalho para quem opta pelos cursos automotivos é um dos principais fatores que levam as mulheres a buscar este recurso neste setor, pois chega a 90%. “Elas já saem dos cursos praticamente empregadas”, afirmou Iracema Marques Barbosa.

É o caso da auxiliar de mecânica Priscilla de Souza Alves. Ela fez, no ano passado, o curso de mecânica automotiva oferecido pelo município no bairro Planalto, zona oeste de Uberlândia, e está empregada há nove meses em uma concessionária de veículos novos. “Sempre fui interessada por carro. Agora, uni o útil ao agradável”, disse Priscilla de Souza Alves.

O esmalte nos dedos da auxiliar de mecânica não corre risco de ser borrado por ela “colocar a mão na graxa” porque Priscilla Alves não precisa fazer isso. “Hoje é tudo eletrônico nos carros novos. Não tem mais aquela manutenção de mecânica pesada”, afirmou.

Apaixonada

A paixão por carros da estudante Jéssica Castro pode ser medida pela quantidade de cursos automotivos que ela já fez nas oficinas da Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho de Uberlândia, no bairro Planalto, zona oeste de Uberlândia: os cinco disponíveis – mecânica automotiva, eletricidade veicular, injeção eletrônica, repintura e funilaria. “Faço todos os cursos automotivos. Saí do meu trabalho anterior para aumentar meu conhecimento nesta área”, disse. “Na minha veia, o sangue não corre, ele tira pega”, afirmou.

Natural de Pirapora (MG), ela disse ter trancado o curso na faculdade de Engenharia de Produção e deixado o serviço de consultora de vendas em uma concessionária de Uberlândia para aprimorar o seu conhecimento na parte de manutenção automotiva. “Na minha cidade, não tive essa oportunidade de fazer cursos gratuitos”, afirmou.

Ela disse ainda que pretende trabalhar na área de manutenção automotiva. “Aqui (no curso), sempre tem alguma indicação”, afirmou.

Concessionárias abrem espaço para funcionárias

Priscilla Alves trabalha há nove meses em uma oficina
mecânica de uma concessionária

O gerente de serviços da concessionária de veículos novos em Uberlândia onde a auxiliar de mecânica Priscilla de Souza Alves trabalha há nove meses, Hueder Marquete, disse que está satisfeito com o toque feminino que Priscilla Alves e outras funcionárias conferem à oficina. Ele também afirmou que pretende contar com mais mulheres neste setor da empresa. “Estou selecionando currículos para uma vaga e gostaria de ter mais uma mulher”, disse.

De acordo com Marquete, as mulheres, geralmente, apresentam características de personalidade que se encaixam no novo perfil do serviço de mecânica. “Elas têm mais atenção aos detalhes”, afirmou.

Cresce a presença entre motoristas

Antônia é uma das mulheres que dirigem ônibus na cidade

Entre motoristas profissionais de Uberlândia, a participação feminina também tem crescido. Já não é raro pegar um ônibus do Sistema Integrado de Transporte (SIT) de Uberlândia e o veículo ser conduzido por uma mulher. Antônia Alves é uma destas motoristas. “Quando comecei éramos duas mulheres. Agora já somos quatro só na empresa em que trabalho”, disse a motorista de ônibus de uma das três empresas que operam no sistema.

Nas outras duas viações, são oito mulheres motoristas. Em uma das companhias, são três mulheres atualmente. Duas entraram neste ano. Na outra empresa, são cinco mulheres. Até o ano passado eram duas.

Detentora da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tipo D, Antônia Alves conduz o ônibus que faz a linha do bairro Maravilha, zona norte de Uberlândia. “Gosto de estar entre as pessoas. A gente tem que dirigir para nós e para os outros e ficar ligada o tempo todo”, afirmou. Antônia Alves disse também que ainda há passageiros que se assustam quando entram no ônibus e veem que uma mulher está ao volante. “Também tem muita gente que brinca, as crianças gostam e as mulheres dizem que eu transmito confiança para elas”, afirmou.

Taxistas têm clientes fiéis

Já entre taxistas de Uberlândia, ainda são poucas as mulheres ao volante, mas elas têm ganhado espaço neste setor nos últimos anos e chamado a atenção de motoristas e pedestres pelas ruas e avenidas da cidade em que passam. Kátia Regina Simplício é a única mulher que dirige na cooperativa de radiotáxi em que trabalha, que conta com 58 taxistas. “Ainda é novidade (mulher taxista)”, disse.

Segundo ela, sua entrada neste ramo não foi planejada. “Meu pai tinha um ponto (de táxi), comprei um e passaram a exigir que o titular dirigisse”, afirmou.

Ainda de acordo com Kátia Simplício, ela tem clientes fiéis e que a preferem, justamente, por ser mulher. “Nós arriscamos menos no trânsito”, disse.

Em outras duas empresas de radiotáxi da cidade, com cerca de 170 taxistas no total, existem, ao todo, duas mulheres que dirigem os veículos.

Fonte: Correio de Uberlândia.